como escolher- raquete padel

Como escolher uma raquete de padel em 2026?

📅 24 octubre 2025 

✍️ Enrique Quiroga

Acabaste de descobrir o padel e queres investir bem na tua primeira raquete? Escolher uma raquete de padel que se adapte ao teu nível de jogo não é uma tarefa simples. Em cada temporada, são lançadas no mercado mais de mil raquetes novas por ano, pelo que, sem critérios claros e adaptados ao teu estilo de jogo, é fácil perderes-te entre promessas de marketing e acabares por comprar uma raquete que trave o teu progresso no campo.

Acertar na compra da tua nova raquete fará com que melhore substancialmente o teu nível de jogo, além de evitar lesões devido a uma má escolha. Fatores como o formato, o balanço, o peso, a dureza, os materiais ou até as condições climatéricas do local onde jogas influenciam enormemente.

Neste artigo, oferecemos-te um guia super detalhado de como escolher uma raquete de padel. Continua a ler e descobre como escolher a raquete perfeita para ti desde o primeiro jogo.

Tabela resumo: como escolher uma raquete de padel?

Aspeto Opções principais Para quem é recomendável?
Formato da raquete Redonda / Gota / Diamante Redonda: principiantes e controlo.
Gota: intermédios e jogadores polivalentes.
Diamante: avançados e potência ofensiva.
Balanço Baixo / Médio / Alto Baixo: controlo e conforto.
Médio: equilíbrio entre controlo e potência.
Alto: potência, menor maneabilidade.
Núcleo (borracha) EVA (macia, média, dura) / FOAM FOAM: ideal para principiantes ou lesões.
EVA macia: saída de bola e conforto.
EVA dura: potência e precisão.
Fibras da face Fibra de vidro / Fibra de carbono Fibra de vidro: toque suave e maior saída.
Fibra de carbono: potência e durabilidade.
Peso Leve / Médio / Pesado Leve: principiantes ou para evitar lesões.
Médio: equilíbrio e versatilidade.
Pesado: potência e jogadores avançados.
Dureza Macia / Dura Macia: confortável e com saída fácil.
Dura: exige técnica, oferece mais potência.
Superfície Lisa / Rugosa Lisa: controlo e golpes limpos.
Rugosa: efeitos e maior aderência.
Ponto doce Grande / Médio / Pequeno Grande: mais tolerância ao erro.
Médio: equilíbrio.
Pequeno: precisão e potência.
Comprimento do punho Standard / Longo Standard: para a maioria dos jogadores.
Longo: backhand a duas mãos ou maior alcance.
Espessura 38 mm / < 38 mm 38 mm: adultos, máxima potência.
< 38 mm: pás júnior ou muito leves.

1. O formato da raquete

O formato da cabeça da raquete é um dos primeiros fatores que deves considerar. No padel moderno predominam três formatos principais, cada um com características próprias que condicionam o teu desempenho em campo:

  • Raquetes redondas: oferecem um ponto doce amplo e centrado, proporcionando maior controlo e uma excelente tolerância ao erro. O seu balanço é baixo (peso orientado para o punho), pelo que são fáceis de manusear. São ideais para principiantes ou jogadores que privilegiam a precisão sobre a potência.
  • Raquetes de lágrima (híbridas): têm um formato intermédio que combina controlo e potência. O seu balanço costuma ser médio (peso distribuído de forma equilibrada ou ligeiramente para a cabeça), com um ponto doce moderado situado ligeiramente para cima. São raquetes polivalentes, perfeitas para jogadores de nível intermédio ou para quem procura um bom equilíbrio entre controlo e potência.
  • Raquetes de diamante: apresentam uma cabeça em formato triangular ou diamante, com balanço alto (peso concentrado na ponta). Geram máxima potência graças a um ponto doce localizado na parte superior, mas este é reduzido e menos tolerante a pancadas descentradas. São adequadas para jogadores avançados, ofensivos e com técnica refinada para aproveitar a sua potência ao máximo.

Não existe um «formato perfeito» universal, já que cada tipo de raquete traz vantagens diferentes dependendo do jogador. O ideal é identificar claramente o teu nível e estilo de jogo para descobrir qual o formato que melhor se adapta a ti.

2. O balanço da raquete

O balanço de uma raquete refere-se a como o peso é distribuído entre o punho e a cabeça da raquete. Por outras palavras, o balanço indica se a raquete «pesa» mais para a ponta ou para a mão e condiciona a sua manuseabilidade e potência. Podemos classificar o balanço de uma raquete em três tipos diferentes:

  • Balanço alto (cabeça pesada): o centro de gravidade desloca-se para a cabeça. Confere mais potência à pancada (maior inércia no impacto), à custa de reduzir a manuseabilidade. Costuma considerar-se balanço alto quando o ponto de equilíbrio ultrapassa os 26,5–27 cm desde a base do punho. As raquetes com um balanço alto estão orientadas para jogadores ofensivos e de nível avançado.
  • Balanço baixo (para o punho): o peso concentra-se perto do punho, o que confere grande manuseabilidade e controlo. Costuma considerar-se balanço baixo quando o ponto de equilíbrio está abaixo de 25,5 cm medidos desde a base do punho. Este tipo de raquetes está orientado para quem privilegia o controlo, para principiantes e para reduzir sobrecargas no cotovelo.
  • Balanço médio: o peso da raquete distribui-se de forma neutra. Oferece um bom compromisso entre manuseabilidade e potência. Costuma considerar-se balanço médio quando o ponto de equilíbrio está entre 25,5 e 26,5 cm desde a base do punho. Recomendado para jogadores polivalentes ou de nível intermédio.

O balanço baixo traz controlo, conforto e menor carga no antebraço. O balanço alto maximiza a potência à custa da manuseabilidade e de maior fadiga. Por último, o balanço médio oferece um ponto intermédio. Se estás a começar a jogar padel ou tiveste epicondilite, prioriza o balanço baixo. Se já tens uma boa técnica nas pancadas, talvez te interesse um balanço alto para que os teus golpes sejam mais ofensivos.

3. Borracha do núcleo da raquete

As raquetes de padel são compostas principalmente por um núcleo interno de borracha e umas camadas externas (faces) de fibra sobre um quadro. Neste ponto, vamos analisar as diferentes borrachas internas que uma raquete de padel pode ter. Vejamos as mais comuns:

  • Borracha EVA (Etileno-Vinil Acetato): é um copolímero usado como material do núcleo da raquete. É fabricada em diferentes densidades (Soft EVA, Medium EVA e Hard EVA), conferindo elasticidade e ressalto. A sua dureza determina o toque, a saída de bola e a absorção de vibrações. É a borracha mais utilizada nas raquetes de padel e apta para a maioria dos jogadores.
  • FOAM (espuma de polietileno): material espumoso utilizado no núcleo da raquete. De menor densidade que a borracha EVA, confere um toque muito suave, grande saída de bola e alta absorção de vibrações. O FOAM costuma ser menos duradouro e oferecer menos potência que a borracha EVA. É um material muito recomendado para os jogadores que sofrem de epicondilite.

Em termos práticos, os principiantes devem começar com núcleos macios (FOAM ou EVA Soft), enquanto os jogadores com mais experiência podem optar por EVA de maior densidade (média ou dura) conforme a sua técnica de pancada.

4. Fibras da face da raquete

O toque, a durabilidade e o rendimento da pancada dependem em grande medida das fibras que revestem a face da raquete. Atualmente, as fibras de carbono e de vidro são os materiais mais comuns, mas há algumas marcas que combinam ambos ou que incluem versões mais sofisticadas:

  • Fibra de vidro: é um material mais flexível que proporciona um toque macio e uma maior saída de bola. Isto significa que a bola «sai» sem muito esforço ao ser batida. É perfeito para jogadores que procuram conforto, controlo e uma absorção de vibrações adequada, bem como para principiantes. A desvantagem é que, em comparação com a fibra de carbono, a sua resistência a longo prazo geralmente é menor e oferece menos potência.
  • Fibra de carbono: a fibra de carbono é um material mais rígido e duradouro. Contribui com um toque mais seco e firme, o que produz pancadas mais potentes, mas requer uma técnica mais aperfeiçoada do jogador. No mercado existem diferentes classes de carbono (3K, 12K, 18K, etc.), que incidem diretamente no rendimento da raquete.
  • Combinações de materiais: algumas raquetes misturam ambos os materiais (fibra de vidro e fibra de carbono), procurando um equilíbrio entre conforto e potência. Por exemplo, camadas externas de carbono com uma base de fibra de vidro, ou até tecnologias que incorporam fibras de última geração como o grafeno ou o kevlar.

5. O peso da raquete

Um dos fatores que menos se tem em conta na hora de escolher uma raquete e que mais influencia a manuseabilidade da mesma é o peso. Se comprares a tua raquete com apenas 10 ou 15 gramas de peso a mais, já vais notar uma mudança brutal na forma como a manuseias e no quão à vontade estarás em campo. O normal é encontrares raquetes de 340 a 390 gramas, e a grande maioria costuma rondar os 360-375.

  • Raquetes ligeiras (340-360 gramas): oferecem maior manuseabilidade e rapidez de movimentos. São ideais para jogadores principiantes, mulheres, jovens ou quem procura evitar lesões no cotovelo e no ombro. No entanto, sacrificam potência nas pancadas, já que geram menos inercia no impacto.
  • Raquetes intermédias (361-375 gramas): são as mais equilibradas e utilizadas. Combinam controlo e potência, pelo que se adaptam bem à maioria dos jogadores de nível intermédio e avançado que procuram versatilidade no seu jogo.
  • Raquetes pesadas (376-400 gramas): geram maior potência e estabilidade na batida, uma vez que o peso extra traz mais inércia. Estão orientadas para jogadores de nível avançado, de perfil ofensivo, com boa condição física e técnica suficiente para mover a raquete com agilidade.

6. La dureza de la raquete

A dureza de uma raquete de padel influencia diretamente o toque, a saída de bola e o nível de exigência técnica necessária. É determinada principalmente pelos materiais utilizados no núcleo (EVA ou FOAM) e pelas fibras da face (vidro, carbono, híbridos). Na prática, podemos falar de dois grandes grupos: raquetes macias e raquetes duras.

  • Raquetes macias:
    • Têm um toque mais elástico e oferecem maior saída de bola.
    • Costumam ser mais cómodas e permissivas com as pancadas descentradas.
    • Oferecem menos potência que as raquetes duras.
    • Costumam oferecer menos controlo de bola que as raquetes duras.
    • Em níveis de jogo onde a bola vai com bastante velocidade, não costumam ser muito apropriadas pelo efeito «ressalto».
  • Raquetes duras:
    • Têm um toque mais duro e oferecem menos saída de bola.
    • É necessário ter uma boa técnica de pancada para imprimir velocidade à bola.
    • Oferecem mais potência nas pancadas ofensivas (voleis, remates, víboras…).
    • Costumam oferecer muito mais controlo de bola que as raquetes macias (por não terem tanta saída de bola).
    • Costumam ser mais resistentes e duradouras que as raquetes macias.

7. Superfície da raquete

O acabamento superficial da raquete determina a textura das suas faces externas e condiciona diretamente os efeitos que se podem imprimir à bola. No mercado atual distinguem-se dois tipos principais: superfície lisa e superfície rugosa ou texturizada.

  • Superfície lisa:
    • É o acabamento mais tradicional das raquetes.
    • Oferece uma saída de bola mais previsível.
    • Facilita o controlo em bolas rápidas.
    • Limita a capacidade de gerar efeitos nas pancadas.
  • Superfície rugosa:
    • As raquetes com superfície rugosa apresentam um acabamento texturizado que pode ser: pintura arenosa, relevo 3D ou camadas rugosas na fibra.
    • Oferece maiores efeitos à bola.
    • Mais indicado para jogadores de nível intermédio ou avançado.
    • Costuma desgastar-se com o uso (sobretudo a pintura arenosa).

8. Ponto doce

O ponto doce é a zona da raquete onde a pancada resulta mais eficiente. Quando bates na bola dentro desta área, obténs maior controlo, potência e conforto. Nas pancadas descentradas, a bola não sai com a velocidade e controlo necessários. O ponto doce está estreitamente ligado ao formato da raquete:

  • Raquetes redondas: têm um ponto doce amplo e centrado.
  • Raquetes com formato de lágrima: têm um ponto doce intermédio, situado para a cabeça da raquete.
  • Raquetes com formato de diamante: têm um ponto doce muito mais reduzido e muito deslocado para a cabeça da raquete.

9. Comprimento do punho da raquete

O comprimento do punho da raquete é um aspeto que pode passar despercebido, mas influencia de forma notável a comodidade e a técnica de pancada. Embora a maioria das raquetes conte com um punho padrão, algumas marcas oferecem punhos ligeiramente mais longos para cobrir necessidades específicas.

  • Punho padrão: o comprimento habitual dos punhos das raquetes costuma oscilar entre os 11,5 e os 12 cm.
  • Punho longo: algumas marcas oferecem raquetes com punhos mais longos, entre 13 e 14 cm. Isto favorece a esquerda a duas mãos e o «efeito alavanca» nas pancadas aéreas.

10. Espessura da raquete

A espessura da raquete de padel refere-se à largura do perfil da raquete. O regulamento oficial estabelece que uma raquete não pode ultrapassar os 38 mm de espessura, medida que se tornou o padrão de praticamente todas as raquetes modernas.

  • Raquetes de 38mm: são o padrão no mercado. Conferem mais potência do que raquetes com menor espessura, por terem mais volume e rigidez.
  • Raquetes abaixo de 38mm: embora algumas marcas lancem algum modelo com esta espessura, o habitual é que estas espessuras de raquete sejam mais indicadas para raquetes de criança, por serem mais leves.